Recaatingamento

4/02/2011

Extrativismo com responsabilidade socioambiental é base para Convivência com o Semiárido

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A experiência da Cooperativa de Agricultores Familiares de Canudos, Uauá e Curaçá – COOPERCUC, hoje está voltada para o processamento do leite e de frutas como manga, goiaba, banana, maracujá amarelo e maracujá da caatinga, mas o umbuzeiro ainda é a principal árvore que fornece a matéria-prima para a produção da cooperativa.

A responsabilidade de estar entre as cinco cooperativas no Brasil que possuem o selo nacional da Agricultura Familiar, garante também que os produtos processados e embalados nas 13 unidades hoje existentes são resultados de um processo que se preocupa com a qualidade de vida e autonomia das famílias e, principalmente, com a preservação ambiental.

Todos os produtos utilizados na fabricação dos doces, geléias, iogurtes, compotas são de origem orgânica, assim como o açúcar. Outros materiais como as embalagens também são oriundos de empreendimentos da Agricultura Familiar.

No cuidado com a caatinga, a colheita do umbu, por exemplo, é feita seguindo normas que garantem o cuidado com a árvore e com a saúde dos/as produtores/as. Para isso, as pessoas usam roupas e calçados adequados e colhem os frutos com a mão, sem sacudir os galhos. Para produzir o picles do xilopódio de umbuzeiro (raiz ou batata da planta) mudas são plantadas especificamente para isto, sem precisar extrair a raíz das árvores já existentes, o que mataria o umbuzeiro.

Outro cuidado importante é com a lenha usada nas caldeiras das mini-fábricas, a qual deve, obrigatoriamente, ser de árvores mortas ou da algaroba que é uma planta exótica e de fácil proliferação. Nas comunidades onde a algaroba ainda não existe em grande quantidade, a cooperativa tem comprado de outros povoados para suprir a demanda de lenha necessária e assim contribuir também com a geração de renda para outras famílias da região.

A importância da criação da  COOPERCUC

Ainda na década de 1990, a partir de uma mobilização realizada pelo Irpaa, oito mulheres de Uauá participaram de uma capacitação para o trabalho de beneficiamento do umbu. O pequeno grupo se tornou  multiplicador da ideia e com o passar dos anos a experiência foi se fortalecendo, resultando na criação do grupo “Unidos do Sertão” que, em 2004, deu origem a COOPERCUC.

Antes de por em prática a ideia do beneficiamento, a colheita do umbu já era feita na comunidade, porém apenas para consumo ou venda para o atravessador. “No início a intenção era apenas ter derivados do umbu para consumir durante todo o ano, presentear amigos e familiares. Depois identificamos a possibilidade de comercialização e foi quando surgiu a necessidade de adequação às regras de mercado”, destaca Edilson, um dos cooperados da Comunidade de Serra Grande, divisa dos municípios de Uauá e Curaçá.

Hoje os produtos feitos nas mini-fábricas distribuídas em comunidades rurais dos três municípios e na unidade central que fica na sede do município de Uauá, fazem parte da merenda escolar de escolas estaduais de 13 municípios da região, sendo parte de uma parceria com a CONAB, o que envolve diretamente 134 produtores.

A compota de picles, usado como aperitivo, é um dos produtos mais novos e que tem tido uma boa aceitação no mercado. A calda para cobertura de sorvete, feita a partir do suco concentrado e do doce cremoso do umbu, é o mais novo experimento que está sendo consumido e avaliado em um impório em São Paulo e, de acordo com o atual presidente da cooperativa, Adilson Ribeiro, em breve estará sendo produzido em maior quantidade para comercialização.

As famílias cooperadas melhoraram as condições financeiras e hoje sabem da importância de preservar a caatinga, tendo em mente que o semiárido é viável, desde que saiba conviver com o mesmo. Esta discussão, bem como a experiência da COOPERCUC, vem sendo estimulada nas comunidades onde o Projeto Recaatingamento atua. Através de reuniões nas comunidades, eventos, divulgação de materiais publicitários, o Irpaa, com o patrocínio da Petrobras, está contribuindo com a difusão da urgente necessidade de se preservar a caatinga, típica vegetação do semiárido brasileiro.

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